Marcha das vadias

Olá pessoal tudo bom?

Sábado 08/03/13 teve a primeira Marcha das vadias em Uberlândia, e nós três aqui do ilha de utopia participamos da marcha. A concentração foi na Praça Clarimundo Carneiro, chegamos lá por volta de 11 horas e já tinha muita gente, depois saímos de lá e fomos em direção ao fórum, onde se encerrou as atividades.

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Mas e você? Sabe o que é a Marcha das vadias e ou o porquê desse nome? Então, vou tentar explicar tudo aqui. Tudo começou em 2011, em Toronto – Canadá, devido ao grande número de estupros que estava acontecendo na Universidade de Toronto, um policial disse que a explicação para esses acontecimentos era porque “as mulheres se vestiam como vadias”, ou seja, elas eram as culpadas de serem estupradas e os homens que faziam isso eram os inocentes, já que elas se vestem de tal forma. Houve uma marcha em Toronto mesmo e reuniu mais de 3 mil pessoas, e desde então a Marcha tem se expandido pelo mundo todo. No Brasil já aconteceu em mais de 20 cidades e essa foi a primeira marcha em Uberlândia, que está vivenciando um grande número de casos registrados de crimes contra os direitos da mulher.

Nunca participei ativamente desses movimentos, o primeiro protesto que participei foi o protesto contra a homofobia em 2011 que aconteceu em Brasília  e agora participei da Marcha das vadias e achei extremamente construtivo pra mim e para as pessoas que viram a marcha, mesmo que o nome a principio “espante”, é algo que chama a atenção e que faz com que as pessoas que estão vendo minimamente reflitam sobre aquilo. Já ouvi muitos dizendo “Se elas mesmo se denominam assim, porque estão pedindo respeito!?” Bom, acho que não preciso dizer que esse nome é uma ironização com a fala do policial e é também uma forma de chamar a atenção das pessoas, chamar a atenção para dados tristes, como o dado do Brasil ser o 7º país com mais ocorrências de violência contra a mulher.

Acho que está mais que na hora de repensarmos tudo isso e o mais importante AGIR para que isso mude. A começar pelo “sexismo” tão presente na nossa cultura, desde cedo, crianças são ensinadas e se portarem, a agirem da forma como a sociedade espera, a guria ganha bonecas, cozinhas, aliás ela deve saber cuidar dos filhos e cozinhar bem pro marido, “quem vai fazer comida pro seu marido menina!? e o guri, desde criança é incitado a ser “forte”, “agressivo” a exemplo dos brinquedos que são destinados a guris, enfim, se precisamos mudar, precisamos mudar essas práticas também, porque isso indiretamente fortalece os mesmos pensamentos que fazem os dados de violência contra a mulher serem gritantes.

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SE SER LIVRE É SER VADIA, ENTÃO…

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Jacke

Então pessoal, a Jacke explicou bem o que de fato é a Marcha das Vadias… Como foi dito é uma luta social, em um dos gritos entoados no decorrer da marcha resume bem o que de fato é essa luta: “Isso não é sobre sexo, é sobre violência”. “Mulheres contra o machismo, mulheres contra o capital, mulheres contra o machismo, capitalismo, neoliberal…” A marcha é um movimento que o feminismo vem lutando desde sua existência, que é a busca pelos direitos da mulher consequentemente o combate contra o machismo. As conquistas que são frutos dessa luta existem, mas vale destacar que as “vitórias” alcançadas são mínimas quando olhamos para o todo da questão. Hoje pode ser visto até um certo comodismo, algumas mulheres acreditam que já alcançaram seu espaço, por exemplo no mercado de trabalho, mas conquistar esse espaço é só o ponta pé inicial de uma luta que é de constantes enfrentamentos… Estamos falando aqui de algo construído desde a infância, mas uma vez a Jacke tem razão, as meninas são criadas em seus mundos cor de rosa onde ser dona de casa é um fator essencial, e os meninos são criados em suas redomas azuis… Existem exceções? Claro. Mas infelizmente as exceções são mínimas em vista do todo.
A luta é constante, a violência é frequente… Fazer algo pra combater isso é uma obrigação nossa. E a marcha é um ponto no meio de tudo isso, e incrivelmente ela cumpre seu papel 🙂
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    Sabe gente, quando eu participo de movimentos como esse eu me questiono muito. Eu sempre fico incomodado de ver que as vezes tem coisas que estão ao nosso alcance mas prefirimos ficar calados. Transformar o mundo? Isso é utopia, mas qual ser humano vive sem utopias? (o blog merece um post explicativo sobre o seu nome, me encarregarei disso,rs.) Logo eu pergunto pra vocês, quais são seus sonhos? O mundo está bom do jeito que está? O que nós  fazemos para transformá-lo? Gente, por mais que a “homossexualidade” seja tão discutida hoje em dia a homofobia tem matado todos os dias, e convenhamos nós estamos de LUTO pelos Direitos Humanos do nosso país, que está nas mãos de uma pessoa extremamente conservadora, machista e homofóbica. Este fato é a maior prova do quanto essa luta é grande.
Voltando a pergunta que fiz. Sim, é impossível transformar o mundo, mas podemos fazer o que está ao nosso alcance. Temos que mudar o meio ao qual estamos inseridos, seja começando a fazer algumas discussões em casa, no seu círculo de amizades, fazer alguns questionamentos… Acho que temos essa obrigação enquanto humanos, sair um pouco da superficialidade de lutar somente pra ter o carro do ano, o iphone recém-lançado… Vamos nos atentar as violências proferidas diariamente contra a mulher, ao homossexual, a todos os tipos de violência.
Vamos objetivar ter todas as coisas boas que queremos, mas antes vamos lutar por um mundo melhor, por um ser humano ligado a sua humanidade, onde  estupro não esteja associado a roupa que vestir, que o homossexual não seja julgado pela sua forma de expressão.

Lá na marcha eu vi um cartaz que mecheu muito comigo, esse aqui ó:
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É impactante? Não sei, depende da pessoa… Mas eu quis trazer isso aqui pro blog como uma provocação mesmo. Vocês são preconceituosos? O ser humano de um modo geral tem suas concepções precipitadas sobre as coisas, mas por exemplo no universo “gay” existe uma preconceito ferrenho aqueles que são considerados afeminados, alguns homossexuais até os denominam como “viados”, ou “bixas pão com ovo”. Gente isso não é uma forma de preconceito? Se vocês acham que não, é melhor rever seus conceitos…
Já li frases assim: “Mate um funkeiro, e faça um bem pra humanidade”. Não gostar da música tudo bem, mas precisa de tanto, e mais uma vez isso não seria preconceito?
Outro exemplo é o “gordo”, uma pessoa que está “acima” do peso sofre um preconceito terrível por isso. Já cansei de ouvir as pessoas dizerem assim pra mim: “Sua bixa gorda”. Gente, palavras, piadas, brincadeirinhas são uma forma de violência como qualquer outra. Mudar tudo isso de repente é complicado, mas aos poucos é possível. É se policiar antes de julgar um funkeiro, um gay que você considera “fora dos SEUS padrões de normalidade”, porque quando estamos na luta social, como no caso da Marcha das vadias, a Parada Gay entre outras, lutamos por um mundo que seja tolerante, livre e que sustente a igualdade não só para a Mulher, o negro ou gay. Mas pelo ser humano no seu completo, então por mais alento que você acha que esteja deste processo, estamos lutando para que a sua(nossa) liberdade seja mantida.

Não espero que todos concordem comigo, mas só reflitam sobre seus próprios preconceitos, seus sonhos, suas lutas… E se você deseja que esse “mundo” desigual e violento seja diferente, eu faço um convite: Seja utópico como nós somos, e vamos nos refugiar na nossa ilha de Utopia e que daqui, das suas próprias ilhas de Utopias saiam pessoas dispostas a lutar, marchar e se no decorrer do caminho você for denominado(a) como Vadia por desejar liberdade. Seja uma e junte-se na luta com a gente.

Marcos

Certa vez fui chamado pra participar de um movimento em apoio ao MCP da minha cidade e olhei para o lado e vi um menino dizendo: “vocês acham que protestos adiantam em algo para lutar em busca de alguma coisa? isso é coisa de gente que tá querendo aparecer”. Mandei ele ficar em casa orando e assistindo a rede globo enquanto a gente aparecia na TV em busca de fama. Há muito pouco tempo me ingressei em alguns movimentos sociais. Na verdade desde que comecei minha formação acadêmica. Mesmo que o impacto deles não sejam muito grande (na maioria dos casos), mesmo que a maioria deles reúnam a pequena parcela da sociedade que é injustiçada, caluniada, difamada, todos eles fazem sentido: a busca dessa minoria por seus ideais. Quando vi esse evento num grupo do facebook, já tratei de marcar logo presença e convidar os amigos mais chegados.
Em um resumo bem geral, o evento serviu para mostrar que a mulher é violentada sexualmente, fisicamente, verbalmente somente por ela ser mulher ou pelo que ela usa e que o homem – o que chamaríamos de homem somente pelo caráter biológico mesmo – usa o argumento de ser o sexo superior para não se conterem diante a uma mulher que não quer usar uma roupa que tape todos os membros do corpo.

Há certas coisas que queria dizer aqui no post como o papel da mídia frente a um movimento social como esse. Quando a TV mostra um desses movimentos que se espalham pelo mundo afora, sempre tem imagem de alguma mulher do FEMEN se despindo completamente e policiais sempre contendo o nudismo. Já vi comentários a respeito de alguém que liga a TV e vê essas imagens. Dizem que são prostitutas, mulheres despeitadas porquê largaram do marido, mulheres querendo aparecer, mulheres drogadas, mulheres e isso seria a verdade do fato? O modo com que a mídia expõe a marcha é totalmente contrária aos princípios ao qual ela se iniciou. Em consequência disso é gerado até um preconceito com as mulheres que vão a estas marchas, pois fica como se elas só quisessem estar ali pra expor o corpo mesmo e não usá-los em forma de contesto. E se fosse para aparecer também? Por que um homem pode ficar sem camisa e a mulher não? Por que o homem usa ainda o termo “ela é minha mulher”, e se a mulher dizer “ele é meu homem” ela é a vagabunda que faz sexo em troca de estabilidade social?

A parte mais bonita de tudo na Marcha das Vadias para mim foi ver vários homens de mãos dadas com suas respectivas namoradas e lutando por uma causa que até não lhes dizia respeito até mesmo por que a causa vai contra o machismo e não que todo homem seja machista, mas que muitos confundem a causa adotada com o preconceito ao ser do sexo masculino. A luta era por liberdade, não por sexismo. Fomos, apoiamos uns aos outros e acho que isso contribui muito com nossa forma de resistência e sobrevivência. Eu estava lá lutando pelo direito de elas serem donas dos próprios corpos, lutando por respeito e lutando pra viver sem expectativas de violência.

Foi maior prazer levantar essa placa o/

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Myke

E aqui o vídeo que complementa o post e vice versa, a princípio a ideia era de fazer um vídeo com relatos das pessoas que participaram da marcha, só que dai tinha uma senhora do nosso lado que começou a falar do ponto de vista dela e enfim, está tudo no vídeo, a primeira parte é eu e o Marcos falando da Marcha, a segunda parte é a Taiza falando sobre a marcha das vadias e a terceira parte é a senhora que é contra a marcha, enfim assistam, rs e ah queremos frizar que MESMO NÃO CONCORDANDO, RESPEITAMOS A OPINIÃO DELA ; Qualquer opinião sobre por favor deixe nos comentários. Beijos.

 

Pra você que quiser saber mais, acesse ao site http://www.marchadasvadias.org/ e fique por dentro de tudo.

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