O império da imagem: a opulência de Brooke Candy

Este não é um blog convencional, tão menos esta postagem. Primeiro porque um blog requer postagens semanais quando não diárias pra sobreviver com ao menos 20 visualizações no fim do dia, o que não é o caso deste. Que tem o nome de ilha de utopia mais por um estado de espírito que algo sistemático para uma página da internet. Este blog é uma espécie de espaço que se adentra dentro dessa aldeia global/virtual para dar corpo físico ao subjetivo que muitas vezes se perde no obscuro da mente de cada um.  Logo está postagem é informativa, mas ela não está atrelada a divulgação de um determinado cantor, ou na exacerbação do mesmo, mais um relato de como esse império da imagem é sentido por seres humanos, que vivem dilemas diários… Esta postagem trata de sentimentos/aforismos, esse blog trata de sonhos, o que indiretamente é fora do convencional. Leitor anônimo (quase inexiste) não procure exatidão, porque nesta ilha o concreto se perde, o irreal se torna real, a utopia é o ir-real convertido em produção cibernética, descontinua, imprecisa, sem sentido… 

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Acima em toda sua Opulência está Brooke Candy rapper/stripper norte-americana que ficou conhecida em 2012, por uma participação “visual” no clipe de Grimes, Genesis. (https://www.youtube.com/watch?v=1FH-q0I1fJY) Meu objetivo não é explanar sobre a origem da carreira da mesma ou das músicas lançadas, mas a impressão que tenho enquanto apreciador de seu trabalho. Brooke sem dúvidas é mais agressiva que toda a prole que à antecede, ela não é “nova” mas uma releitura bem estruturada. Até porque buscar originalidade nos dias de hoje parece ser uma auto-afirmação da indústria musical do pop, quando não  é dado pela cantora em questão isso é dado pelo seus apreciadores… Ponto equivoco pois não há nada de novo nos dias de hoje, a ânsia da novidade existe, mas o novo já morreu. Creio que isso se da pela afirmativa de estar “a frente” de um tempo, por fim de se considerar contemporâneo, ou melhor, urban conceitual. Não partimos do zero para a criação de algo, relemos, ressignifcamos, moldamos da melhor forma possível ao enquadramento que se espera. Na cultura pop não é diferente, a ânsia pelo novo se torna na verdade o maior erro dos apreciadores da mesma. Essa cantora é cópia dessa, essa canta mais que a outra, essa é mais feminista que outras e blá, blá, blá… Discussão tão batida que a própria concepção do que é uma “cantora” está em crise, ele entrou em crise com os primeiros passos do pop, hoje não existem cantoras e sim performers. A música é segundo plano no conjunto visual que reina na indústria hoje, e neste ponto não adoramos o deus cristão, mas reverenciamos o império da imagem.

brooke candy opulence  Voltando a Brooke Candy, que hoje estreou seu videoclipe para seu single Opulence. Em compromisso com a agressividade que à antecede, Brooke convocou o famoso fotógrafo Steven Klein que no seu reino do grotesco cedeu uma direção que faz jus a sua carreira, e Nicola Formichetti diretor/editor de moda da Diesel, mas que já esteve inserido em vários momentos performáticos  da carreira de Lady Gaga. Klein, que já dirigiu Gaga, Madonna é um fotógrafo que caiu naquilo que se denomina enquanto urban conceitual. De fato a obra do mesmo é louvável, traz junto de si muito da imprecisão do mundo contemporâneo. Os discursos que Klein explicita em sua obra, é um discurso pautado no grotesco, flertando sempre entre o belo e o feio. Curioso para os dias de hoje, sendo o mesmo um artista de seu tempo. Opulence na melhor forma Kleiniana de ser flerta com esses conceitos, Brooke Candy encarna o que lhe é mais original e convoca todos os símbolos anteriores para se constituir enquanto performer, e que vai repercutir muito ainda pela mídia. http://www.youtube.com/watch?v=CbChHPQhXtM Opulence por Steven Klein

OpulenceDe fato Brooke Candy não é o suprassumo do novo, leio sempre por ai a afirmativa do fim de Lady Gaga. O que está em jogo nessa indústria não é o qualitativo, ser uma cantora, ou melhor, uma performer de qualidade não é o suficiente para se garantir. A indústria norte-americana elege seus representantes comerciais no mundo pop, Miley, Katy Perry encarnam muito disso nos dias de hoje, o que antes era de Madonna, foi recentemente de Lady Gaga. Que curiosamente aparecem sempre em divergência, sendo que ambas são uma releitura de várias símbolos, o novo que ambas podem anunciar nada mais é que uma nova roupagem com alguns acréscimos tecnológicos. Fato que não as minimiza, somos resultado de vários discursos, isso nos faz humano. Inovar é uma utopia, um horizonte que a sociedade tem insistido em bancar. Diferente da coerência da industria cultural estou mais intimamente ligado a originalidade relida de cantoras como Gaga, Madonna e Brooke Candy que necessariamente na adequação mercadológica de Katy Perry e Miley Cyrus. Mas infelizmente isso se torna uma utopia, pois o que determina o qualitativo nessa indústria pop hoje é vendagem, estar nos charts é um princípio de Opulência, que apenas os escolhidos tem a chance. Em alguns momentos, dentre esses escolhidos estavam Madonna, Cindy Lauper, David Bowie, Lady Gaga e talvez agora Brooke Candy.  Espero que a mesma esteja entrando não para se adequar ao título de “adolescente revoltada” que Miley encarna agora e um dia foi de Britney, nem na limitação mercadológica de vendagem na obra de Katy Perry, uma performer nos padrões, enquadrada no discurso da sociedade norte americana, que fuzilou Erotica em 1992, estranhou ARTPOP em 2013, isso são apenas alguns exemplos, a questão de vendagem não está atrelado a qualidade mas sim se aquilo corresponde ao que a indústria espera do artista, engessamento. Ai já é pessoal, escolher o engessamento dos charts e regozijar futilidade pela vendagem, ou simplesmente aproveitar esta arte efêmera neste império da imagem.

Enfim, eu não sei o que é nem como é. Talvez o desconhecimento seja a maior característica contemporânea… A linha tênue do que é real foi quebrada, são representações, sob representações. Se tornar um símbolo hoje não é questão de originalidade é questão de sensibilidade de reconhecer a existência de uma confluência de outros símbolos. Nossa sociedade do espetáculo tem como deus a imagem, que não é pura, não é ausente, é produtora de discursos, detentora de preconceitos… Em todo o subjetivo está o humano, nesse aglomerado de solitários, que vive um estágio de vegetação que não percebe. Mero apreciador do deus contemporâneo, no meu pessimismo individual não há muito a ser feito, nem lutas a serem travadas, estamos presos (in)diretamente em um molde em vigência… Romper é utopia, utopia é o irrealizável.

Neste estado de vegetação, nada mais pertinente que o império da imagem. Nesse caso? Steven Klein e Brooke Candy confluem na desconexa narrativa do clipe, uma efêmera fruição artística…

Opulence. I own everything baby…”

Um brinde por ter chegado até o fim do post

Marcos.

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