Um “problem” Nº1 nas paradas, e um recado para os ouvintes do pop.

Durante essa semana o mundo da mídia se alvoroçou com o lançamento da então música Problem da teen Ariana Grande; e desde a escrita do meu post anterior, andei pensando em alguns problemas que a cultura pop vem enfrentando diariamente. Muito além do que simplesmente crucificar a cantora, creio que a questão seja mais complexa, e sim o problema está em cima como está no que se torna a base de todas essas cantoras, os seus seguidores, ou melhor, fãs. Problemas, problemas e problemas… A música em questão

 é sim um pop no seu sentido básico de ser e não é ruim, ela é o que tem que ser e o que propõe a ser. Apenas… Me questiono, e além disso? Além do que está no top 10 da billboard? Por fim o que está além do sucesso?

dsa-overthinking-3  De fato, é muito o que pensar. Isso se da pela sociedade que vivemos, um ideal de consumo de felicidade atrelada ao ter e não ao ser, porque o ter vem antes de qualquer coisa. Claro que isso pode ser uma leitura “viciada” de um cara que cursa uma graduação em História, mas acho que muito além do pessoal está um todo que não tem funcionado muito bem. Mas essas criticidades não cabem aqui no momento, são apenas adendos.

 Voltando a Ariana Grande – que carrega uma puta potência vocal – que não conheço muito bem e acaba se tornando aqui um exemplo que pode ser utilizado pela grande maioria de cantoras que constituem a grade do pop hoje. Ora, parece que os fãs da menina proliferaram da noite pro dia pela viralização da música Problem! Sim ela já estava em evidência na mídia antes disso, mas para chegar no Nº 1 é preciso ser a “good girl gone bad” que as paradas musicais endeusam. Sinceramente eu me questiono como uma fórmula tão velha, sem nenhum alteração, continua funcionando? Bem acho que a resposta está no público que consome.

Não é preciso ir muito longe, surgiu uma cantora, de preferência “disney” dai ela vai lá e adota um comportamento de revolta, ok isso é legítimo, faz parte da vida. Mas de repente isso perde sentido, se torna na verdade uma forma de vendagem, vender nos dias de hoje é o princípio básico de qualquer cantor, então pra mim essa “revolta sexualizada” é muito mais uma adequação de padrões que necessariamente um rompimento. Por fim? Acaba se tornando uma artista limitada e fadada a ditadura do sucesso, ai dela se sair disso. Os soldados de chumbo/fãs (sem salário) ficam a cargo de depreciar aquela que não atingir o número de vendas, que não volta de modo algum pro bolso deles.

Essa ditadura me lembra outro cantor/produtor, pra fugir um pouco do estereótipo das divas pop o hoje ovacionado Pharrel1492788431-pharrel-todopoderoso Williams que sempre nos bastidores soube produzir músicas na moldagem certa, no momento certo. Mas sua carreira pessoal principalmente do seu primeiro disco In My Mind (2006) foi vetado pela gravadora, mal recebido pelo público. Por fim quase engavetado porque ele não seria um álbum da ditadura do sucesso. Hoje? Happy está em todos os lugares, G I R L um álbum repleto de seguidores, omissos em 2006. Será que seus fãs triplicaram pelo qualitativo musical ou pela modinha Get Luck e suas consequências? Creio que nem seja preciso responder.

Talvez os exemplos não estejam claros, e nem sei se é o caso. Mas o que está em jogo hoje é uma apreciação da música mais pelo seu desempenho que por ela mesma. Ela já perde pra imagem, ela é o segundo ato das cantoras pop, assim também vale para seu público. Na internet só existe apreciação por depreciação. Se alguma cantora não alcança o determinado número de vendas… É quase certo que a mesma levada de fãs que à ovacionaram no seu sucesso, hoje tem como o suprassumo da música alguma outra que esteja no top 10, afinal como ser “urban conceitual” sem uma “diva” com um recorde numérico. Porque sinceramente que importância tem se a música chegou no nº 1 em 1 ou 1000 minutos? Queria muito ver Problem em outro contexto, provavelmente estes que vangloriam a nova it singer com a nova it rapper estariam fazendo o que curiosamente fazem de melhor nos dias de hoje, criticar sem fundamento algum os “fracassos” alheios. Visto que o termo fracasso pra esses péssimos seguidores está atrelado necessariamente a não obtenção de uma vendagem muito grande, a depreciação não é do musical mas do comercial… Triste realidade do mundo pop hoje, uma onda de futilidade sem precedentes, porque é preciso de Lady Gaga se o numérico de Katy Perry é mais invejável?Já li muito por ai, pra que Grammy com milhões de singles, com zilhões de visualizações e zZzzZZZzzzzzz Péssima escolha, péssima visão, péssimo seguidor…

Se para gostar de tal cantora é preciso depreciar outra. Acho que a sua cantora não está lá essas coisas… A música fala por si. Essa necessidade de afirmação por vendagem chega a ser vergonhosa, porque quanto mais o numérico é levantado mais genérico se torna a diva em questão. Até porque gosto atrelado pelo sucesso, é um gosto genérico, fraco e tão instável que dissipa no ar no o primeiro fracasso ou primeira cantora que fizer mais sucesso.

Sei lá, no fim sou sim um apreciador do POP, mas ele não é meu único universo. Hoje as pessoas em suas limitações valoriza como certo o que os charts diz disso ou daquilo, e acabam perdendo coisas sutilmente incríveis. Não é preciso ser perito em música, mas acho que é uma questão de rompimento de padrões, descanse os ouvidos do pop, migre em outras sonoridades… Enquanto o povo está ovacionando uma música que está dentre os moldes e para os charts, nada mais que isso, Lykke Li lançou uma obra prima sonora em I never learn, sem mimimi nenhum… Enfim fazer o que? Se as pessoas perdem por exemplo essa coisa linda que é o álbum Food da Kelis. De fato acho lamentável, e antes de ser um comentário de ódio este post tem mais um tom provocativo, no sentido que existe um mundo além da fórmula pronta do pop, não é desmerecimento da cantora ou do pop no geral, mas uma indagação…

Claro que gosto é uma questão pessoal, mas não o limite por números, charts ou modismos. Aprecie e não deprecie, frua, sinta, ouça e ame a música.

Kelis-Food-Cover-659x659Lykke-Li-I-Never-LearnDuas divas, que independe dos números, ou de fanbase reafirmando sucesso, potência vocal, vendas ou grammys. Caso em que a música fala por si.

Lykke Li – I Never Learn <https://www.youtube.com/watch?v=5SrEdAeGj6Y&gt;

Jerk Ribs – Kelis <https://www.youtube.com/watch?v=wQgppPHXJSs&gt;

Marcos.

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