Já comprei meus escravos para matar minha vizinha que faz bruxaria, e você?

Marcha das vadias

30 de maio de 2014, século XXI, dentro de uma Instituição Federal de Ensino, aproximadamente umas 17:53 da tarde visto que tinha chegado atrasado na reunião que discutiria as próximas páginas da II Marcha das Vadias de Uberlândia – MG – ao qual fui convidado no facebook por um dos membros do Diretório Central dos Estudantes, sento-me no saguão do 5O-A onde envolto por várias meninas que, despojadamente, rogam um cigarro em torno de um círculo de umas 25 garotas. Eu rejeito o cigarro da colega ao lado e ela joga para a próxima da fila, que aceita e funge uma fumaça blasé no meu rosto enquanto uma outra mulher começa a falar do surgimento da Marcha no Canadá. Me senti bem acolhido ali naquele lugar até o momento que olhei mais ou menos a minha frente e vi que tinha uma moça incomodada com alguma coisa naquele ambiente visto o intemperismo de suas caretas e da sua aflição para com as mãos da colega. Ela interrompe a outra que falava ainda sobre a luta e direitos conquistados pelas mulheres.

– Vocês, dois que chegaram agora, já se apresentaram?

Disse meu nome e curso, minha amiga que me acompanhava disse o mesmo, mas usando suas interpelações pessoais. De volta, a moça retorna a mim e pergunta o que eu estaria fazendo ali e se eu me considerava mulher. Eu disse que não, mas que era feminista. Foi só o que eu pude dizer.

Fui retirado da reunião com a justificativa de eu SER HOMEM.

O constrangimento não poderia ser maior, e mais do que depressa peguei minha mochila. levantei do chão e fui para casa. A caminho dessa, ainda desapontado com tal atitude me veio a cabeça que as vadias, como assim se referem, lutam por um ideal de igualitarismo de gênero e me perguntei se essa construção do movimento não feria esse igualitarismo. Ora, se querem combater algo que as atingem e usam a mesma ferramenta que o machismo usa contra elas que é a exclusão e um ataque desprivilegiando a classe, estão fazendo tudo errado. Seria como eu combater a guerra usando armas.

Quando eu cheguei em casa nada ainda fazia sentido, se por um lado eu queria apoiá-las, agora eu não entendia do por que o meu apoio não valeria de nada se elas lutam contra mim – personagem homem – e eu estava do lado delas. Para completar a semana – vou ao supermercado e só escuto uma voz  se distanciando de um caminhão andando ao lado me dizendo “Vira homem”. – q?

Eu, ateu, gay, pobre – tudo que a sociedade discursa como errado, impotente, incapaz. doente – e agora “homem demais para estar aqui” me deixa com um profundo desânimo da incerteza desse tradicionalismo de ideologias que se perduram por desde sempre e até o sempre. Será que precisamos mesmo ser sempre monotônicos em todos os tipos e categorias de assuntos? Será que não poderemos viver entre sim e o não? É sempre esse ou aquele, nunca nada nos dá a oportunidade de ser isso e aquilo.

Eu sei que as feministas tem grande importância na formação desses direitos que as mulheres conquistaram que antes não tinham – como votar e direito ao trabalho, mas dá pra fazer isso de uma forma correta? De uma forma mais justa, mista. Nem homens nem mulheres mudarão o mundo sozinhos e essa visibilidade que vocês ganham quando são colocadas na mídia por essa ou aquela marcha deveria promovê-las e instigar seus anseios e não esconder seu preconceito por detrás dos bastidores.

O título é tão controverso como a situação que vocês me colocaram, mas no mais boa sorte ao movimento.

Relembre o nosso post sobre a Marcha do ano passado: https://ilhadeutopia.wordpress.com/2013/03/11/marcha-das-vadias/

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