A moda é ser eclético?! – um passeio artístico e musical.

Bem, aqui estou eu novamente, usando este espaço mais como um refúgio biográfico que necessariamente um blog informativo. As certezas eu deixo para a vida que levamos no dia a dia; neste blog os aforismos ganham espaço, as abstrações sem um sentido em específico. Aqui estão meus ensaios, reflexões entre sentimentalismos ou superficialidades. Aprendi que através da escrita um pensamento mesmo que “estranho” ganha vida no mundo das palavras, ele se solidifica em frases… Nada mal pra um espaço nomeado como –   ilhadeutopia.  

Eclético/Ecletismo – arte ou modo de viver?

Creio que é preciso pontuar o real objetivo deste post, ou melhor, a ideia central. Nos tempos atuais quando falamos de música, principalmente o gosto pessoal de cada um, é raro encontrar alguém que diga com toda certeza que seu “estilo” musical é este ou aquele. Claro que estamos imersos numa contemporaneidade que fragmentou inclusive a noção de realidade, hoje as identidades são fluidas, antes de nos identificamos como seres humanos nos rotulamos como – gay, negro, mulher, etc. Não que isso seja ruim, mas ultimamente tenho pensando  – e o ser humano, antes dos rótulos, onde está? Responder esta pergunta significa traçar uma possibilidade – ao meu ver este “humano” está perdido, ou melhor, a unidade, o macro, o universal vem sendo dilacerado desde o fim do séc. XIX, inicio do XX onde nos consolidamos como a geração do micro, dos ecléticos… Mas deixemos os aforismos epistêmicos de lado!

Na imagem abaixo nós temos o Museu Nacional de Belas Artes obra de Adolfo Morales de Los Rios que representa este “ecletismo” na arquitetura, que a propósito é um termo cunhado no século XIX que compreendia uma corrente artística que utilizava referencias do passado e do presente para a construção de uma obra no tempo em questão, por exemplo o MNBA tem uma fachada que remete a do Museu do Louvre em Paris. Logo de forma sucinta, o ecletismo na arquitetura é uma seguimento que reúne vários estilos, em vários períodos históricos, com a afirmativa de não limitar-se as correntes do tempo presente… Na arquitetura o ecletismo perdeu força antes da metade do século XX. Mas e em outras partes da sociedade? Hoje não é moda ser “eclético”? Chega a ser uma escolha ou mera realidade de um tempos modernos?

Ecletismo
Ecletismo

Para a arquitetura o ecletismo significa a reciclagem de vários estilos e tempos diferentes – na música isso não é diferente. Musicalmente falando quando perguntamos para alguém – “Qual seu estilo de música preferido?” E a pessoa responde – “Sou bem eclético, ouço de tudo um pouco.” Acho cabível tal afirmativa, porque a música também está associada ao estado de espírito, perpassa por tantas questões pessoais que acaba ficando difícil delimitar este ecletismo como bom ou ruim. Curiosamente quando fui construir este post, fiz uma pesquisa de um modo geral, e é engraçado o quanto isso gera discussão… Existem uns que afirmam que ser eclético significa ser “livre” de preconceitos, outros dizem que é falta de personalidade. Encontrei um artigo num jornal que o autor disse uma frase curiosa – “A pretensa ausência de preconceito é usada apenas como forma de maquiar a falta de conceito. ” <Desmascarando os ecléticos musicaisLogo meus caros leitores, a moda é ser eclético, pois não há preconceitos, ou ser eclético está intimamente ligado a ausência de conceito?

Não procuro aqui uma resposta, nem dados empíricos… Muito mais uma provocação a reflexão. Existem tantas coisas que nos cercam, das quais utilizamos diariamente, seja as emoções entoadas através da música que ouvimos, ou de termos que falamos por ouvir sem buscar um significado. Acho que de certa forma o que me incomoda é exatamente isto, uma ausência de subjetividade, uma superficialidade verbal, musical, visual que me deixa intrigado. Claro que vivemos nos tempos das Cultuas Híbridas como diria Nestor Canclini. Mas nenhum fato está dado, inclusive a capacidade de estabelecermos a crítica as coisas triviais que constituem a vida. Creio que se buscássemos este senso crítico não estaríamos em ano eleitoral discutindo compartilhamento de facebook sem nenhum dado concreto. Este “eclético” enquanto moda, me incomoda! Quando penso em ecletismo me vem logo a presidenciável Marina Silva, que de longe evidencia os lados negativos de “ser eclético” – como forma de maquiar a falta de conceito – como já foi citado.

Sejamos livres de preconceitos, mas não sejamos inócuos de conceitos.

Por fim, 5 músicas e uma playlist “conceitualmente” eclética, rs.

Primeiro quero deixar aqui o link de uma playlist que eu criei no Spotify que inclusive se chama eclética, lá tem o que eu tenho ouvido recentemente, que curiosamente tem um peso conceitual gigante na minha vida. Aqui está o link,  só clicar no nome em rosa 🙂 >>>>>>>>>>>>>>>Eclética<<<<<<<<<<<<<<

Um pouco da “Eclética” (playlist)

Aqui está a nova fase do projeto sueco iamamiwhoami encabeçado pela grande Jonna Lee. Diferente dos outros álbuns Blue tem uma carga visual mais quente quando pensamos em cores, ou na própria capa do álbum. Um deleite para se ver, ouvir e sentir.  Como está na letra: “Escombros na superfície para mostrar exibições de uma sombra, do que eu deveria saber, a menos que você se atreva a me encontrar, mas não há fé.

The Hidden Cameras é um caso a parte. Me conquistaram visualmente falando pelo clipe fabuloso da música Carpe Jugular, que mostra incrivelmente como funciona a veracidade do que significa “conquistar” alguém hoje na balada. Na balada gay isso me parece um campo de guerra, começando pelos preconceitos implícitos e explícitos, aos próprios olhares devoradores. Belo, dance e curiosamente melancólico.

Creio que Kanye West dispensa apresentações. Se tornou o artista que mais ouço, além da sua atitude e de seu ego megalomaníaco, consensualmente Kanye elevou o hip-hop a um novo patamar, na mesclagem de estilos, alguns beiram ao pop como o álbum 808s & Heartbreak ou ao experimentalismo frenético do Yeezus. Deixo aqui uma música incrivelmente sensível do 808s.

A revelação de 2014, sem dúvida fica com FKA Twigs. Ganhou as atenções já com seus Ep1 e Ep2, visualmente impecável, musicalmente sensual, FKA despertou minha curiosidade desde a fobia que eu senti ao assistir o belo clipe de Papi Pacify. Agora ela nos oferece um trabalho mais conciso, o LP1 tem uma força sonora, que nos entrega uma distorção de R&B, incrivelmente viciante como a grandiosa Two Weeks.

Por fim e não menos importante, deixo a jornada de profanação cristã de VV Brown. Seu álbum Samson & Delilah é mais profundo e obscuro que os outros, uma jornada que se inicia com uma pseudo ópera em Substitute For Love até a agressiva The Apple que rendeu uma jornada de clipes que retrata uma história moderna do mito bíblico de Sansão e Dalila.

Se você chegou até aqui, você merece um prêmio! Mas creio que já é suficiente por essa playlist incrível que eu criei com bastante carinho, lembrando que ela pode ser ouvida pelo Spotify no link que eu já coloquei acima, lá existe uma variedade maior de músicas, uma liberdade de fruição que fundada em alguns conceitos pessoais se tornou minha lista “eclética”. Como também um post reflexivo; se para a arquitetura o ecletismo significou a liberdade estética, o que o ecletismo significa para nós hoje?

Espero que este post não seja entendido como certezas, mas aforismos de uma mente que não para.

Obrigado pela atenção, Marcos.

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