O que são ilhas mentais aos olhos cansados da concretude da vida real?!

Publico neste espaço – narcisista – um texto escrito numa madrugada repleta de subjetividade melancólica, guiada pelo incrível projeto eletrônico iamamiwhoami. Não procuro aqui ser fiel as teorias existentes em relação ao universo criado por Jonna Lee e Claes, pelo contrário tomo a licenciosidade poética que o projeto possibilita pra abrir novos caminhos e quem sabe construir novas ilhas…

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Eu tenho uma curiosa sensação sobre as coisas… Talvez sejam pelas regências astrológicas do signo de peixes , talvez sejam apenas teorias exacerbadas de uma mente danificada, mas tudo está em debate na minha cabeça. As relações evidenciadas num transporte público, ou numa balada sertaneja, eletrônica ou indie. Busco nas faces as almas angustiadas ou reluzentes – é como se subjetivamente as auras fossem exteriores aos preceitos fisiológicos – mas não são! Na verdade tais possibilidades romantizadas das relações humanas são produto de uma mente que não para, ou diria a astrologia de um pisciano que vive uma vida fisicamente real mas outra complemente alternativa na mente…

A imensidão do vazio
A imensidão do vazio

Muito além da minha visão interpretativa do mundo é sempre interessante perceber a capacidade da arte em exacerbar a sensibilidade; nossa sociedade sofre da ausência da mesma, mas é possível encontrar outros lugares, territórios inexplorados, ou até mesmo novas ilhas.
Toda justificativa – narcisista por não ter nenhum leitor interessando em devaneios da madrugada – em tentar buscar entre eiras e beiras a sensibilidade nas pessoas e acabar sendo encontrada neste projeto chamado iamamiwhoami – um nome curiosamente reflexivo, por mais uníssono que ele pareça na escrita, sua pronúncia pode, apenas pode registrar uma indagação?!

Nessa conjuntura simbólica, oculta e deliciosamente misteriosa pude entrar em contato com um universo “paralelo” criado por Jonna Lee e Claes Björklund, ainda nos auspícios de um projeto bizarro como foi o universo proporcionado por BOUNTY, onde o mito da mandrágora foi utilizado para cantar amores absolutos e desamores melancólicos, seja envolto em papeis higiênico ou na relva das florestas obscurecidas pela direção do projeto… Chegamos a morte de BOUNTY, morte que aqui não significa fim, mas ao contrário, recomeço. Nenhum capítulo tem final apenas reticências, alusões a morte significam apenas um rito de passagem, uma enunciado do porvir… Neste momento um mundo de possibilidades tinha sido lançado na internet, através de virais, clipes e música, iamamiwhoami ganha identidade em Jonna Lee…

Volto aqui na minha busca por sensibilidade nas coisas triviais da vida. Pois a sensação que se percebe no projeto é na verdade a construção de um mundo que se pauta na liberdade artística de seus idealizadores e da sensibilidade estética de seus receptores; creio que um dos maiores ganhos do projeto como todo, ou até mesmo sua coluna de sustentação se de no despertar da sensibilidade de cada espectador-ouvinte. Do estranhamento ao encanto, do sobrenatural ao máximo do natural….

Nas dualidades formativas iamamiwhoami cria suas ilhas interpretativas.

Na morte e renascimento somos entregados num universo mais introspecto que o anterior. KIN se consolida como uma busca desesperada de um sentido para um vazio interno, exteriorizado pela imaginação… Aos meus olhos KIN significa um embate, filosófico entre dois mundos. A busca aqui se transforma em guerra. Existe um mundo real que nos consome diariamente, obrigações das quais somos impossibilitados em buscar um escape, a não ser que ele se dê na sua mente. Um mundo concreto, lúgubre e real fica evidente por toda busca ou fuga de KIN, até que ele encerra encubado. Uma viagem guiada de um apartamento que ganha vida em alguns devaneios imaginativos da oprimida cantora, encerrando sua saga fechado num cubo preto sem nenhuma celebração – para muitos a música goods significa uma celebração, mas nos meus olhos e ouvidos me pareceu a música mais sensivelmente triste do CD.

Fica claro neste ponto que iamamiwhoami é um projeto esculpido por seus idealizadores mais é completamente moldado por seus espectadores. Não há roteiro, não há sequência, por mais evidente a narrativa sempre se revela mais profunda – ao menos para os fãs… Existem clipes e músicas lançadas em datas diferentes, com simbolismos diferentes cabendo a cada “apreciador” desvendar suas próprias ilhas mentais para encontrar a sensibilidade necessária de fruição ao projeto…

Essa lúgubre ilha se tornou o refúgio de várias almas e olhares sensíveis…. Perceberam-se na ausência de linearidade a possibilidade de subverter os processos, a sonoridade… Uma palavra que defina o projeto? POSSIBILIDADE. Fonte inesgotável, produtora de sensibilidades iamamiwhoami é a celebração de todo vazio da indústria da música, um comestível e indigesto projeto sonoro e visual.

ilhas mentais
ilhas mentais

KIN encerra-se preso num cubo negro… Alguns anos de teorias rondando os fóruns de discussão dos fãs até que em Janeiro desse ano de 2014 fomos presenteados com uma bela imagem numa cachoeira com a palavra – FOUTAIN. Tão belo visualmente e subjetivamente que foutain pareceu inaugurar uma fase que seria completamente coberta por tonalidades mais fortes e seria nomeada com o nome de BLUE. Não que a guerra psíquica de KIN foi superada, mas é possível perceber que o universo concretado no cubo preto foi na verdade aquele real, físico e bucólico. Aquilo que está fora do cubo de KIN esta apresentado em BLUE… Que evidencia uma melancolia característica da artista mas alcança um patamar de serenidade, é como se a natureza de BOUNTY que era muito mais transgressora, encontrasse uma ilha de calmaria e beleza em BLUE.

Estamos criando novas ilhas” um dos lemas da fase atual do projeto, estas ilhas podem ser acessadas, vistas e ouvidas mas não são ilhas disponíveis a olhares superficiais, mas ilhas construidas na subjetividade de cada espectador. Com BLUE, iamamiwhoami tem saído de seus obscuros e misteriosos mundos. Hoje no dia 10-11-2014 se da o lançamento mundial de sua nova ilha “azul”, criando um arquipélago ao redor do mundo, ilhas que alcançaram até mesmo o mercado conseguindo a posição 24 no ITunes. Não posso negar que existem receios; alcançar tal posição nos charts significa modismo ou sensibilidade de seus ouvintes? Esta pergunta só o tempo será capaz de responder, mas os caminhos futuros não importam na eminência do belíssimo mundo criado por iamamiwhoami até aqui.

dos submundos do negro e na estagnação do branco, nasce BLUE
dos submundos do negro e na estagnação do branco, nasce BLUE

Minha busca pela aura das pessoas nos lugares e bares continuam, antes elas eram regadas por devaneios internos, agora minha busca possui imagem, forma e som… Na verdade minha busca se consolidou numa ilha, me resta saber se é de isolamento ou de exploração…

PS: É indissociável pensar em imamiwhoami com alguns devaneios da vida, logo esta interpretação além de ser pessoal, pode ser tão inútil quando seu tempo gasto para ler até aqui – afinal acho que só eu chego até aqui…

O que são ilhas mentais aos olhos cansados da concretude da vida real?!

 

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